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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Câncer de mama x aumento de peso

Eu tive esse problema e vc?

Estudo mostra alta taxa de sobrepeso em pacientes com câncer de mama

Por outro lado, desnutrição foi um problema frequente em pessoas com câncer do trato gastrointestinal.
 
Agência Notisa – Os efeitos colaterais decorrentes do tratamento do câncer podem afetar significativamente tanto o estado nutricional quanto a qualidade de vida do paciente. No estudo “Estado nutricional e qualidade de vida de pacientes em tratamento quimioterápico”, publicado na Revista Brasileira de Cancerologia, do Instituto Nacional de Câncer, verificou-se alta prevalência de pacientes que apresentavam pelo menos um sintoma relacionado ao tratamento.

Náuseas e disgeusia (alteração de paladar) foram os dois sintomas mais relatados, informam os autores da Universidade Federal do Pará. Eles verificaram, por meio do IMC, que metade dos pacientes avaliados apresentava eutrofia (ação normal das funções nutritivas). Entretanto, a taxa de sobrepeso foi elevada (38,3%), sendo a maior frequência observada em pacientes portadoras de câncer de mama.

Os autores explicam que apesar dessa relação (câncer de mama X sobrepeso) ainda não estar totalmente esclarecida, ela pode ser associada tanto à ingestão alimentar inadequada, ao decréscimo de atividade física influenciado pela própria doença, à alteração da taxa metabólica basal ou menopausa quanto ao tipo de protocolo quimioterápico utilizado, que pode afetar diretamente a composição corporal dessas pacientes, uma vez que algumas medicações utilizadas em conjunto, como os glicocorticóides e terapia hormonal, promovem retenção hídrica e aumento de gordura corporal.

Também foi verificada a presença de desnutrição, principalmente, nos portadores de câncer do trato gastrointestinal (27,3%). “A desnutrição é muito comum em pacientes que apresentam câncer no trato digestivo, principalmente devido à baixa ingestão alimentar decorrente da sintomatologia e da presença do tumor, frequentemente, de caráter obstrutivo, que, além de prejudicar a absorção adequada do que é ingerido, impede a ingestão de alimentos em consistência sólida, que confere maior aporte calórico, se comparados a alimentos líquido-pastosos, melhor tolerados por esses pacientes na maioria dos casos, quando ainda conseguem se alimentar por via oral”, explica a equipe na publicação.

Para ler o artigo na íntegra, acesse: 
 
Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Machucados, linfonodos e linfedemas

Eu moro perto do Batalhão da PM de Nova Friburgo (Isso mesmo, a cidade só tem um batalhão! Aliás, esse batalhão serve a não sei quantas outras cidades vizinhas... kkkk Um dia me acostumo... kkkk). Hoje, indo para o trabalho, me distraí com os soldados correndo e cantando aquelas musiquinhas (acho muito engraçado!), acabei tropeçando e levei um tombo horroroso! (vai, caçoa dos outros, que Deus castiga!)

A queda foi feia (vergonha! na frente do batalhão inteiro!!!), mas o estrago foi pequeno. O problema é que ralei a mão, e, como sempre acontece nessas ocasiões, machuquei exatamente o lado esquerdo, o operado. Para quem não sabe, durante a mastectomia pode ser feita retirada parcial ou total dos linfonodos (mais explicações abaixo). No meu caso, foram retirados somente os linfonodos sentinelas, mesmo assim os médicos me orientaram a tomar muito cuidado com o  braço esquerdo, para evitar o linfedema (inchaço do braço).

Na hora fiquei tão nervosa com a minha mão sangrando que nem aproveitei a paisagem daquele PM gatéeeerrimo que veio correndo me ajudar. Por que fui me preocupar tanto com a mão? Bem, que podia ter fingido uma torção no pé e pedido um colinho! (kkkk ok, maridão, ignore essa passagem kkk) Mas eu só conseguia pensar em como evitar um linfedema. Linfedema, não! Linfedema, não!

Fui até a farmácia mais próxima, fiz um curativo e liguei para minha amiga médica para confirmar se deveria fazer mais alguma coisa. Não, era só isso mesmo, manter o machucado limpo, protegido e observar se está cicatrizando normalmente.

Quer entender melhor o que são e como funcionam os linfonodos? Leia abaixo!


     
Os linfonodos ou gânglios linfáticos são pequenos órgãos compostos por tecido linfóide que se encontram espalhados pelo corpo, sempre no trajeto de vasos linfáticos.  Os linfonodos atuam como filtro da linfa, antes da mesma retornar ao sangue, cada grupamento linfonodal é responsável pela drenagem de determinada parte do corpo, um exemplo são os linfonodos axilares que recebem tanto a linfa da mama como do braço.

Os linfonodos atuam como filtro da linfa. Quando algum microorganismo invade o corpo, ele é detectado ao passar por um linfonodo e começa haver multiplicação das células de defesa (linfócitos).

Alguns tipos de cânceres têm como sua principal via de disseminação pelo corpo o sistema linfático, o câncer de mama é um desses exemplos. (Quando há comprometimento de um linfonodo por câncer ele também pode aumentar de tamanho.) O comprometimento dos linfonodos axilares é um dos principais indicadores da evolução da doença, logo a sua retirada e avaliação pelo patologista orientam o mastologista quanto à necessidade de outros tratamentos, como quimioterapia ou radioterapia, e também quanto a necessidade da retirada total dos linfonodos (em caso de comprometimento pelo câncer).

Durante a cirurgia, com a paciente ainda anestesiada, é realizada a biópsia de congelação (uma técnica de biópsia mais rápida, já que a paciente está anestesiada). Se o linfonodo estiver negativo, não se realiza o esvaziamento axilar.

Após a retirada dos linfonodos, as pacientes devem ter alguns cuidados (listados abaixo), a fim de evitar complicações. A complicação mais desconfortável para a paciente decorrente do esvaziamento axilar é o linfedema. Esse se manifesta com aumento do volume do braço (inchaço) e também pode ocorrer em diversos graus, desde alterações reversíveis e discretas até grandes inchaços com comprometimento da função do membro acometido.



quarta-feira, 31 de julho de 2013

E a careca da Nicole?

Há semanas venho pensando se escrevo ou não sobre a personagem Nicole (Mariana Ruy Barbosa), da novela Amor à Vida. Acabei tendo certeza de que precisava ao menos colocar minha indignação para fora, dada a forma como o autor Walcyr Carrasco vem tratando do assunto. A personagem cresceu nos últimos capítulos, tem mais falas e mais destaque na trama, entretanto continua tão rasa como quando começou.

Para quem não acompanha a novela, Nicole sofre de um câncer terminal (que eu não consegui descobrir qual é vendo a novela, precisei fazer uma pesquisa na internet para informar vocês), um linfoma. O problema é que só se fala do cabelo (e do dinheiro) da moça. Por mais que as pessoas sofram com a perda do cabelo durante a quimioterapia, muita outras coisas estão em jogo: a doença em si, como e porque se desenvolve, como se prevenir, como é realmente o tratamento, efeitos colaterais, reações emocionais... Quem tem câncer ou convive com alguém que tenha entra em universo paralelo totalmente desconhecido para os leigos e é um absurdo que o assunto seja tratado de maneira tão reducionista.



Bem, se Walcyr Carrasco queria tanto colocar os lindos cabelos de Mariana Ruy Barbosa em foco, que fizesse isso ao menos de maneira mais humana e realista.

1- Os cabelos caem muito, muito, de maneira que é inevitável cortar as madeixas, não é bem uma questão de escolha, é praticamente necessário. Eu demorei a raspar os meus e o couro cabeludo chegou a doer.

2- A cama fica coberta de cabelo, a roupa fica cheia de fios, se você passar a mão pelos cabelos com certeza vai ficar com eles nas mãos.

3- Então, é impossível fazer tranças, coques, etc. (Já a personagem apareceu com vários penteados para disfarçar as falhas, o que na vida real seria impossível, simplesmente porque ela ficaria careca!)

4- Tá bom ou quer mais? Que tal unhas quebradiças, inchaço, vômitos, prisão de ventre... Um pouquinho de verossimilhança não faria mal, não é mesmo?

Qualquer que fosse a escolha do enfoque a ser dado, uma vez tratado com o cuidado que o tema merece, o autor estaria prestando um serviço aos telespectadores. Da maneira como está sendo feito, é um desfavor à população e um desrespeito aos que têm a doença!

terça-feira, 16 de julho de 2013

De volta à vida

Parece que finalmente a tormenta passou! A quimioterapia acabou, a cirurgia de reconstrução foi um sucesso, retornei ao trabalho (quero dizer, comecei de fato) e me instalei com o maridão em um apzinho liiiiindooooooo!

As coisas estão indo tão bem que até consegui me controlar durante a cintilografia óssea! kkkkk Pra quem não sabe, a cintilografia exige que o paciente fique imóvel enquanto o aparelho faz uma varredura por todo o corpo e isso dura hoooooras! (horas emocionais, claro, porque na verdade são apenas alguns minutos). Eu tenho uma certa claustrofobia com aquele aparelho e tento me controlar, mas sempre acabo dando um chilique de pelancas. Choro compulsivamente, entro em desespero, grito para me soltarem (eles amarram nossos braços), um horror! Mas dessa vez foi diferente! Fiz o exame de primeira, fiquei tensa, angustiada, mas consegui me controlar direitinho!

Ah, o mais importante: o resultado do exame foi bem satisfatório! Menos dois pontos. E, ao contrário do trivial, na cintilografia, quanto menos pontos, melhor! No exame que detectou a doença óssea, foram registrados 7 pontos de metástase; no segundo,  5 pontos; e agora 3 pontos!

Minha onco disse que eu estou ótima e que as perspectivas são as melhores possíveis. Hoje eu me trato com o famoso tamoxifeno e tenho reagido muito bem a ele!

sábado, 13 de abril de 2013

Reconstrução - mais uma etapa de sucesso!

Queridos,

completei duas semanas de operada. A cirurgia de reconstrução foi um sucesso e corre tudo bem! Tive uma febrinha, o que deixou algumas pessoas preocupadas. A febre foi causada por uma pequena inflamação na mama esquerda, coisa à toa! Agora já está tudo perfeito, tenho até que me controlar para não me esforçar demais e prejudicar a recuperação. Segunda-feira tiro os pontos, ansiedade no auge!!!

Ah, não posso deixar de contar pra vocês, que a pessoa louca aqui esqueceu de levar os exames no dia da cirurgia! Eu levei os exames para 2 consultas com os plásticos, o chefe e o residente viram, anotaram, mas disseram que seria necessário que eu levasse para cirurgia mesmo assim. Depois de mostrar os exames para mais uns não sei quantos médicos, acabei tirando-os da bolsa e me esquecendo totalmente desse "detalhe irrelevante".

Já no centro cirúrgico de camisola e toquinha, o Dr. Rodolfo, do seu jeito sempre gentil, me deu a notícia de que, se a anestesista não aceitasse participar da cirurgia sem ver os exames, minha operação teria que ser remarcada. Hein? Surtei! Como assim? Quer matar o ser humano do coração?!

Eu disse que achava que a oncologista tinha anotado tudo no prontuário e que eles também  poderiam puxar os dados do exame de sangue no sistema. Ele alertou para o fato de que o risco cirúrgico não fica no sistema. Aí, me lembrei de que havia deixado o exame de sangue em casa, mas estava com o risco cirúrgico no leito junto a outros documentos. A anestesista, uma querida, que estava a ponto de aceitar fazer a operação sem ver os exames, já que o plástico garantiu que havia visto e estava tudo bem, ficou ainda mais tranquila com a chegada do exame cardiológico.

Ufa. Que susto. Passei por essa.

Bem, depois disso a anestesista veio conversar comigo, como é de praxe. Ela me fez algumas perguntas e disse que me daria um raqui. Não vou negar que fiquei com medo. Sempre tive pavor da anestesia geral, mas, depois de passar por duas, já estava convencida de que não teria problemas. Então, quando ela me apresentou essa novidade, bateu aquela insegurança: Será que vai doer? Será que vai ter efeito colateral? Não seria melhor a anestesia geral?

A anestesista, mesmo sem que eu dissesse nada, notou meu nervosismo e disse que traria seu "coração" para eu apertar. Minutos depois ela apareceu com com uma daquelas "bolinhas terapêuticas" em formato de coração. Então, até adormecer fiquei massacrando o coração da anestesista.

Muito bom estar sob o cuidado de profissionais tão atenciosos!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Ficando pop ;*)

Como prometido, segue a minha entrevista para o Oncoguia!
Entrevista retirada do link: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/cancer-de-mama-cristiane-chagas/3022/304/


Instituto Oncoguia - Você poderia se apresentar?

Cristiane Chagas - Meu nome é Cristiane Chagas, eu tenho 33 anos, desconfiei que tinha um nódulo aos 30, fui diagnosticada com um câncer de mama aos 31 e com metástases ósseas aos 32. Tenho pais e marido que me apoiam muito. Não tenho filhos.

Instituto Oncoguia - Como você descobriu que estava com câncer de mama?

Cristiane Chagas - No autoexame. Coma já tinha tido alguns nódulos na mama e nunca era nada sério, não fiquei muito preocupada quando apalpei o câncer, mesmo assim fui ao médico porque estranhei o tamanho e a textura do nódulo.

Instituto Oncoguia - Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu?

Cristiane Chagas - Arrasada pela notícia, arrasada por ver o estado da minha mãe (que perdeu os pais com câncer). Impossível dar nome aos meus sentimentos, nem sei o que senti, foi um choque! Eu estava confiante, não acreditava nesse diagnóstico. De repente o chão se abriu debaixo de mim.

Instituto Oncoguia - Qual era a sua maior preocupação neste momento?

Cristiane Chagas - Tanta coisa passa pela cabeça da gente que eu teria uma lista. Mas numa ordem cronológica, acho que de imediato tive uma preocupação com o emocional dos meus pais, logo em seguida quis muito saber se ainda poderia engravidar e, quando comecei a fazer os exames, fiquei ansiosa com o resultado em especial da cintilografia óssea para saber se estava com metástases, meu grande medo.

Instituto Oncoguia - O que aconteceu depois disso?

Cristiane Chagas - Depois disso era tentar controlar o emocional e focar na cirurgia e tratamento. Foi assim que aconteceu. Passei a frequentar com a minha família o grupo de apoio às pacientes com câncer de mama, o que nos ajudou muito a lidar com essa nossa realidade.

Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento?

Cristiane Chagas - Operei, fiz quimioterapia e radioterapia. Pedi para a médica para fazer a radio entre as "vermelhas” e as "brancas” porque a última aplicação da "vermelha” tinha me deixado muito mal e eu nem conseguia chegar perto da sala da quimioterapia sem sentir náuseas. Ela autorizou. Quando estava terminando as "brancas”, comecei a sentir uma dor que se tornou insuportável e descobri que estava com metástases ósseas.

Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê?

Cristiane Chagas - Sem dúvida a quimioterapia, eu tinha muito medo de ficar queimada com a rádio, mas tomei bastante cuidado e achei o resultado bem positivo. Já a quimio vai te enfraquecendo aos poucos (quando não faz isso de uma vez só), no início eu me sentia muito bem, levava a minha vida normalmente, depois fui ficando muito debilitada, uma sensação horrível de estar definhando.

Instituto Oncoguia - Você teve efeitos colaterais? Qual o pior?

Cristiane Chagas - Claro, mas, ao contrário da maioria, não achei a perda de cabelo um grande drama, curti as etapas de crescimento do cabelo, inclusive a careca, numa boa, mesmo sentindo falta do meu cabelão de antes. O mais difícil para mim foi quando comecei a ficar debilitada (ou por causada quimio ou por causada das metástases) e não conseguia desenvolver minhas atividades diárias como antes. Não poder caminhar para mim, que sempre fiz tudo andando, era uma grande martírio.

Instituto Oncoguia - Como foi a relação com o seu médico?

Cristiane Chagas - Foi boa, mas eu sempre queria saber mais detalhes e ele não queria me dar muitas explicações, aquilo me deixava angustiada. Isso se tornou mesmo um problema insuportável quando recebi a notícias das metástases ósseas. Fiquei desesperada, apavorada e precisei buscar explicação com outros médicos. Por último acabei trocando de oncologista, porque achei que um profissional que conversasse comigo, que entendesse minha necessidade de saber os detalhes da doença e do tratamento, me deixaria mais estável emocionalmente, o que tem total interferência no resultado do tratamento.

Instituto Oncoguia - Com que outro profissional você se relacionou?

Cristiane Chagas - Nossa, com vários! O câncer é uma doença que precisa realmente de uma equipe multidisciplinar e fiz questão do apoio de todos eles! Mastologista, oncologista, cirurgião plástico, assistente social, advogado, enfermeiros, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo… Quase todos eles lá mesmo no Hospital da Lagoa.

Só não senti necessidade de nutricionista, como não tive problemas com os meus exames durante o tratamento e como minha alimentação sempre foi balanceada, não fiz questão de procurar algum nutricionista, mesmo assim, recebi orientações da equipe de enfermagem nessa área, incluindo cartilhas.

Instituto Oncoguia - Você fez acompanhamento psicológico?

Cristiane Chagas - Sim, e fez toda a diferença! Minha psicóloga é ótima e além de me apoiar no lado emocional, me auxilia também em questões práticas, como, por exemplo, indicando profissionais de sua confiança, com experiência com pacientes com câncer de mama e muitos atenciosos, características que julgo muito importante para quem está passando pelo tratamento de um câncer.

Instituto Oncoguia - Você está em tratamento ou já finalizou?

Cristiane Chagas - No momento estou fazendo hormonioterapia (oral) e me preparando para minha reconstrução.

Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje?

Cristiane Chagas - Hoje estou ansiosa para fazer a reconstrução e retomar a minha vida. Voltar a trabalhar…

Instituto Oncoguia - Conte-nos sobre seu trabalho e planos para o futuro.

Cristiane Chagas - Antes do diagnóstico do câncer de mama eu havia passado em um concurso público, durante o tratamento fui convocada e aprovada. Tomei posse, mas precisei tirar licença. Estou louca para começar a trabalhar!

Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje?

Cristiane Chagas - Diga sim! Aceite sua nova condição, aceite seu tratamento, aceite a ajuda das pessoas que te amam. Chore quando tiver vontade e sorria sempre que puder. Negar é comum (e compreensível) nessas horas, mas não ajuda em nada.

Instituto Oncoguia - Qual a importância da informação durante o tratamento de um câncer?

Cristiane Chagas - Toda! Informação é tudo, não é a toa que a mídia é conhecida como o 4º poder. A informação é uma arma para aprendermos a lidar com nosso corpo, com a doença, com os efeitos colaterais, para brigar contra as deficiências do sistema público ou privado de saúde, para buscarmos o cumprimento dos nossos direitos.

Instituto Oncoguia - Você buscou se informar?De que maneira?

Cristiane Chagas - Na internet, no site do Oncoguia, em estudos do Inca. Mas, quando entendi que o tratamento do câncer tem que ser individualizado, que cada um tem um tratamento (mesmo existindo um protocolo básico) e que cada um reage de uma maneira, fui buscar médicos que pudessem responder minhas questões com base nos meus exames.

Instituto Oncoguia - Como você conheceu o Oncoguia?

Cristiane Chagas - Através do selo "amigo do oncoguia” em blogs de mulheres com câncer de mama.

Instituto Oncoguia - Você tem alguma sugestão a nos dar?

Cristiane Chagas - Cada vez mais admiro o trabalho do Oncoguia! Acho que mais ações dentro de hospitais – públicos em especial – poderiam informar e mobilizar os pacientes em relação aos seus direitos e deveres.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Vaidosa sempre!

3 meses sem quimioterapia, 7 quilos mais magra (e/ou menos inchada) e a espera da cirurgia de reconstrução! 

Desde que eu terminei a quimioterapia em janeiro, estou brigando com a minha imagem no espelho. Inchada, gorda, branca, cheia de celulite, enjoada do meu cabelo curto (que resolveu crescer pra cima kkk) e do meu bronzeado from Finlândia, cansei de me sentir feia e decidi fechar a boca! Ah, peguei um solzinho também.

O resultado veio logo e vocês podem notar nas fotos abaixo.

*Essas fotos não são exemplares porque tem uma luz 
amarela que não favorece na "depois" e porque hoje já estou 
mais magra. De qualquer forma, dá pra ter uma boa noção do contraste. 

Ao contrário do que as pessoas pensam e pregam, eu nunca consegui focar exclusivamente na minha cura, pensar que o tratamento estava tão alto num pedestal que as outras coisas da vida passavam a ser insignificantes. "Agora você tem que se preocupar com a sua saúde!", "Uma coisa de cada vez!" Eu sei que o tratamento tem total prioridade, mas continuei sendo vaidosa. Continuo achando péssimo ter celulite, estar acima do do peso. Fiquei super incomodada com o surgimento de novas microvarizes e por aí vai. Mas também aprendi a ser mais tolerante com as imperfeições, acho até que vou sofre menos quando eu começar a sentir o peso da idade (porque ela vai chegar, né?! espero que sim...).

Bem, com o fim da quimioterapia já posso retomar minha rotina de vaidade: cutilar as unhas dos pés (já que a das mãos não poderei mesmo voltar a fazer), esclerosar as micro varizes (liberada!), fazer dieta (antes, mesmo se eu fizesse, não adiantava nada por causa da cortisona) e... tan, tan, tan, tannnnn! fazer minha reconstrução que foi adiada, mas está confirmadíiiiiiiiiisima para o próximo dia 28!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Questões oncológicas em debate

Ontem estive no II Fórum Regional de Discussão de Políticas de Saúde em Oncologia, organizado pelo Instituto Oncoguia. Foi uma experiência muito satisfatória. É ótimo ver que existe um grupo de pessoas -  especialistas, profissionais da área médica, jurídica, administrativa, pacientes (eu!)...  - pensando, discutindo e buscando soluções para as questões (e bota questão nisso) dos pacientes oncológicos. Vi minhas críticas e  minhas dúvidas serem expostas e debatidas. 

"O paciente deve ser tratado em um único hospital e ter um único prontuário, para que suas informações médicas estejam centralizadas e seu tratamento tenha sucesso."*
"O médico deve conversar com seu paciente, olhar nos olhos, explicar sobre a doença e sobre o tratamento." 
"O paciente tem que ter acesso ao que há de melhor para o tratamento da sua doença. É possível ofertar isso na rede pública? E nos planos de saúde?"

Esses e muitos outros assuntos com os quais me debato diariamente foram refletidos de forma séria e responsável e com o foco na solução. É sempre bom saber que não estamos sozinhos!

Ah, dei uma pequena entrevista para a jornalista do Oncoguia, suponho que em breve esteja no site deles. Quando estiver disponível, eu publico aqui para vocês! ;)

*Desde o início do ano, por incrível que pareça, o governo determinou que o paciente seja direcionado a clínica da família, toda vez que tiver indicação de procurar uma nova especialização médica, mesmo já estando em tratamento no hospital. A clínica da família por sua vez pode encaminhar esse paciente para qualquer outro hospital (e só Deus sabe o critério...).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Tumor x Humor

Arrumei um novo amiguinho de quimioterapia.  Há algum tempo nós nos encontramos no hospital em dia de sessões e consultas, mas, só depois de passarmos hooooooras conversando a espera do resultado do exame de sangue na última 2ª feira, acabamos descobrindo uma certa afinidade. Ele é muito bom de papo, inteligente e bem humorado.

Hoje estávamos fazendo quimio juntos e ele construiu uma relação linguística que achei bem interessante. "O humor é o contraponto do tumor", disse. "Só com muito humor para combater o tumor." Continuou. E, como professor de português, chamou atenção para o fato de conseguirmos elaborar essa reflexão semântica trocando um único fonema.

Dá-se o nome de fonema ao menor elemento sonoro capaz de estabelecer uma distinção de significado entre as palavras. Observe, nos exemplos a seguir, os fonemas que marcam a distinção entre os pares de palavras: amor - ator / morro - corro / vento - cento
  
Cada segmento sonoro se refere a um dado da língua portuguesa que está em sua memória: a imagem acústica que você, como falante de português, guarda de cada um deles. É essa imagem acústica, esse referencial de padrão sonoro, que constitui o fonema. Os fonemas formam os significantes dos signos linguísticos.  (http://www.soportugues.com.br/secoes/fono/fono1.php)

Assim acontece com tumor - humor. Mas, segundo meu novo amigo, nesse caso não devemos trabalhar no campo da diferença dos significados, mas da suas semelhanças, ou melhor, da necessidade de relação entre elas. O câncer está em nosso imaginário como algo muito negativo, que nem mesmo deve ser pronunciado "aquela doença". Trabalhar o (bom) humor e autoestima com certeza é vital para o processo de cura e/ou qualidade de vida do paciente.

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Essa questão do humor me fez lembrar de um outro post que escrevi (Cancerland, por Kaylin Andres) sobre o blog de uma americana que tem "cancer is not funny" no endereço e "cancer is hilarious" no cabeçalho. Um pouco de humor ácido é sempre bom kkkkk Adoro kkkkkkk

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quimio eterna quimio

Segunda-feira tive mais uma sessão de quimio. Ando de saco cheio desse processo todo e enlouqueço ao pensar que minhas atuais perspectivas são de que isso seja eterno com intervalos de em média 3 meses a um ano! Imagina, 3 meses, mal termino de fazer os exames de reestadiamento e, pronto, toma quimio novamente! (obs: se for assim, não vou sair nunca do estágio probatório. Ah, é, pra quem ainda não sabe, no meio dessa confusão que se chama vida, passei para área administrativa da UERJ!)

Na minha última consulta, a médica disse que a gente terminaria esses 2 ciclos e faria os exames pra saber se continua nessa fórmula ou se usamos outra. Fiquei revoltada! Hein?! Como assim? E a minha pausa? E a minha vida?! "Calma, também pode ser que façamos uma pausa..." "Ok, então não me provoca a fúria, tá?", pensei. Ela me deixa super insegura com esses comentários. Todas as vezes que ela jogou esses verdes, ela sabia muito bem do que estava falando, mas não queria liberar a verdade antecipadamente pra mim.

Então meu mau humor ficou tão grande, fiquei tão revoltada com a possibilidade de continuar nesse tratamento sofrido, nesse pileque sem fim (e pior, sem "cachaça"), nessa fraqueza, zonzeira... que nem consegui falar tudo que precisava. A consulta ficou pela metade. Ela marcou o retorno e eu nem vi a data.

Quando finalmente eu vi a data -  3 de janeiro*! - não entendi nada. Será que a médica viajou completamente ou resolveu me dar uma trégua? Na dúvida, decidi conversar com ela. Parece que, em função dos feriados de final de ano, eles estão com dificuldade de agendamento. Eu no fundo acho que ela quis me dar uma pausa maior, porque minha imunidade está muito baixa. Do ciclo passado para esse também tive mais de uma semana de intervalo e, mesmo assim, meus leucócitos estavam no limite.

Bem, vou aproveitar para curtir essas férias merecidas e rezar pra haver um milagre, uma revolução científica, qualquer coisa que me deixe aproveitar a vida com um pouco mais de tranquilidade!

*3 de janeiro é a próxima consulta, mas antes disso volto ao hospital para mais uma sessão de quimio, a última do ano.

sábado, 17 de novembro de 2012

Paciente Ativo e Responsável

O médico tem o conhecimento científico, mas você continua sendo dono do seu corpo. Não se esqueça disso!!! (porque às vezes os profissionais de saúde se esquecem...)

Achei bem pertinentes as dicas do oncoguia. Seguem abaixo:
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/seja-um-par/156/173/

Ao adotar uma postura PAR: ATIVA E RESPONSÁVEL, você, paciente com câncer, estará assumindo a responsabilidade pelo seu tratamento e pela sua vida ou no mínimo, uma grande parcela disso.

Você perceberá o poder que tem nas mãos e não sabe e vai se dar conta de que disponibiliza de ferramentas muito importantes nesta sua batalha pela vida: a sua voz, a sua motivação e a sua luta!

Por que adotar uma postura PAR?

Estar mais informado.
Ter maior controle e participação nas escolhas e decisões.
Sentir-se mais seguro, confiante e preparado para enfrentar o tratamento e todas as decisões necessárias.
Saber lidar com as reais expectativas.
Ser o Defensor de si mesmo e da sua vida.
Exercer seu papel de Cidadão ativamente e com responsabilidade.

Como ser PAR?

Diante do diagnóstico do câncer: tenha calma e respire 
Não tem jeito, o câncer vai impactar a sua vida! E durante um tempo, você vai sentir como se um furacão ou um vendaval tivessem passado por você.

Tenha calma e respire! Tire um tempo pra você ... Se sentir vontade, chore. Neste momento, você vai se sentir mais frágil e inseguro. Isso tende a passar.

Antes de iniciar o seu tratamento, você pode esperar um pouco para evitar a tomada de alguma decisão precipitada. Saiba que os primeiros passos são fundamentais e podem interferir em todo o seu tratamento futuro.

Informe-se sobre todo o tratamento
É muito importante se informar sobre o seu diagnóstico e as opções de tratamento possíveis. Para isso, a melhor forma é conversando com o seu médico.

Converse e pergunte a ele sobre todas as opções de tratamento para o seu caso específico: o que é o melhor pra você! Proponha a ele uma parceria e se mantenha no comando da sua saúde.

Quanto mais você sabe, mais você se sentirá confiante. Eduque-se, não tenha medo da informação.

Peça a ele indicações de sites na internet confiáveis sobre o assunto.

Você e seu médico

     Numa primeira consulta:
Você deve contar ao médico sobre o seu histórico de doenças familiares, o médico deve examiná-lo e solicitar exames, de acordo com o seu caso.

Descreva outras doenças e medicamentos em uso e procure esclarecer dúvidas.

Caso você não se sinta seguro e confortável com as informações fornecidas por este médico, não hesite em procurar outro. É a sua vida que está em jogo e você precisa se sentir satisfeito com o médico que vai cuidar de sua saúde.

     Nas consultas intermediárias:

Prepare-se para a consulta! Anote efeitos colaterais dos medicamentos (quando começou, quanto tempo durou e o que foi feito para acabar com ele), anote suas dúvidas e aproveite o tempo da consulta para esclarecê-las.

Solicite um número de telefone para que você possa ligar em casos de urgência.

Seja responsável pelo seu tratamento 
É muito importante lembrar que você é responsável pelo seu tratamento, marcação de exames, agendamento de quimioterapia, enfim ...

Assuma a responsabilidade de marcar seus exames, consultas médicas e buscar os resultados. Não espere que façam isso por você.

Mas, saiba que você pode pedir ajuda e não precisa passar por tudo isso sozinho.

Tenha a sua cura como foco principal do tratamento
Não se sinta vítima do câncer e foque na sua saúde e na sua cura.

Procure deixar de lado sentimentos negativos para que você tenha força para enfrentar todas as etapas do tratamento em busca da sua cura.

Focalize toda a sua raiva, decepção e frustração no combate ao câncer.

Assuma uma postura de Esperança!

Defina as metas para este momento da sua vida 
Pare e reorganize suas prioridades.

Estabeleça metas com seu médico.

Estabeleça metas com sua família.

Estabeleça metas no trabalho.

Que tal refletir sobre a sua vida? Esse é um bom momento para planejar sua vida a curto, médio e longo prazo.

Estabeleça uma boa relação com a equipe de saúde que cuida de você 
Estabelecer uma boa comunicação com o seu médico e com a equipe que cuida do seu caso é essencial para um bom resultado no seu tratamento.

Converse e estabeleça em quais situações você deverá entrar em contato com eles.

Antes de toda consulta, é muito importante que você se prepare. Leve suas perguntas por escrito e, se desejar, peça que algum familiar lhe acompanhe para tomar nota.

Ao se tornar um paciente ativo na determinação do melhor para o seu caso, você se sentirá mais tranquilo, participativo e confiante diante do seu tratamento.

Documentos e relatórios médicos são essenciais: guarde todos
Recolha os relatórios e registros no momento das visitas a médicos ou outros profissionais de saúde, e mantenha tudo organizado. (Relatórios de patologia, cirurgias, biópsias, exames, testes e tratamentos).

Um fichário com divisórias de separação é uma maneira ideal para organizar todas as suas informações.

Leve esses registros para qualquer nova consulta, especialmente na qual você está recebendo uma segunda opinião.

Mantenha uma lista atualizada e legível de todos os seus medicamentos.

Você tem o direito de ter em mãos cópias dos registros médicos e do seu prontuário.

Se achar necessário, busque uma segunda opinião
Se por algum motivo você não se sentiu completamente satisfeito com o seu médico, saiba que você tem todo o direito de buscar uma segunda orientação.

Não hesite em dar este passo – o seu médico não ficará chateado se você optar por uma segunda opinião, e este é um direito seu.

Por que uma segunda opinião? Alguns motivos ...

Não estar confortável com o diagnóstico inicial e desejar uma confirmação.

Buscar um especialista / referência num determinado tipo de câncer.

Solicitação do convênio.

O fato de o câncer ser uma doença séria e em alguns casos incurável.
Não faça uso de tratamentos alternativos antes de conversar com o seu médico
Muitos pacientes insistem em fazer uso de tratamentos alternativos antes de consultar o médico.

O que esses pacientes não sabem é que, alguns dos tratamentos alternativos podem prejudicar o tratamento principal.

Converse com o seu médico e peça a opinião dele sobre o assunto.

Saiba quais são o seus direitos frente ao câncer 
Diante do tratamento do câncer é fundamental que você conheça quais são os seus direitos frente ao seu plano de saúde ou SUS.

Busque informações sobre os benefícios que você poderá ter frente ao Estado.

Se achar necessário consulte um advogado especialista em saúde para lhe orientar e ajudar.

Saiba como lutar pelos seus direitos 
Estar informado é o primeiro passo.

O passo seguinte é conhecer as estratégias e os caminhos para que os direitos realmente possam ser adquiridos.

O terceiro é ir à luta e saber como se defender e defender os seus direitos!

Um Cidadão Ativo e responsável conhece a respeito dos seus direitos e deveres.

Junte-se a algum grupo ou ONG de pacientes com câncer.

Cuide dos seus sentimentos
Compartilhe seus pensamentos e sentimentos com os seu amigos e familiares. Ao expressar seus sentimentos, todos podem ganhar.

Não se sinta frustrado se você não conseguir ser otimista/positivo o tempo todo. Altos e baixos são esperados. Se necessário, busque ajuda especializada.

Não esqueça de cuidar da relação estresse/doença e aprenda a manejar e reduzir o estresse.

Espiritualidade e fé: cultive 
Você sentirá um sentimento de tranquilidade e paz. E saiba que está cientificamente comprovado que a espiritualidade faz a diferença: fortalece os recursos individuais de enfrentamento, equilibra emocionalmente e aumenta a qualidade de vida.

Tenha Esperança
A esperança é um ingrediente vital para a sua vida neste momento.

É um estado emocional e mental que motiva você a sentir-se vivo. A esperança possibilita a manutenção da atitude positiva, fortalece suas habilidades e recursos para enfrentar a doença.

Tente manter uma vida normal
Manter as suas atividades de trabalho e lazer pode ajudá-lo a se sentir mais no controle e menos fora da realidade.

Você e os seus familiares devem conversar e ajustar a rotina diária do lar, caso seja necessário mantendo o seu estilo de vida o mais normal possível.

Tentar manter uma vida normal será muito importante pra você.

Desconecte-se do mundo do câncer: fale, pense e converse sobre outros assuntos.

Converse com quem está passando pelo mesmo que você 
Pacientes com câncer podem aprender muito um com o outro.

Uma boa maneira de fazer isso é conhecer pessoas que estão passando pelo mesmo que você.

Grupos de apoio proporcionam excelentes ambientes para a troca franca de informação entre os pacientes.

Redes Sociais e grupos na internet também propiciam esta troca de informações, apoio e suporte.

Junte-se à luta contra o câncer
Muitos pacientes de câncer relatam a importância de estarem envolvidos e defendendo a luta contra o câncer. Você pode se filiar a alguma instituição ou ONG tornando-se um voluntário para organização de eventos, levantando fundos, enfim, tornando-se um verdadeiro defensor da causa do câncer.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Receitinha Infalível



Quando as pessoas sabem que estamos com uma doença difícil como o câncer, todo mundo quer ajudar, mas de que maneira? A verdade é que além de dar amor, apoio e carinho (o que é vital!) não há muito o que fazer. Na maioria das vezes, as pessoas acham que um abraço forte é pouco (não é!) e insistem em passar aquela receita perfeita para tratar os efeitos colaterais da quimioterapia ou até o próprio câncer!

"Olha, pro intestino preso você tem que comer fibras, cereais. Ameixa seca é uma beleza!" "Eu também acho. Impossível comer mais fibra que eu, querida, você não está entendendo... A questão é que nem mesmo óleo vegetal está dando jeito!"

"Você tem que comer inhame. Inhame filtra o sangue, é ótimo! Eu curei um problema sério no estômago comendo inhame!" "Mas eu como sempre, adoro!" (De fato como, adoro e realmente é recomendado pelos médicos para recuperação durante a quimioterapia) "Não, mas você tem que comer cru, batido com leite!" Deus me livre, odeio leite! Já pensou o terror que não é essa gororoba?! Deve curar qualquer coisa, as células, vírus, bactérias, devem todos sair correndo...

Eu acredito bastante no poder da alimentação, nos chás, nos fitoterápicos; o problema é que todos os efeitos colaterais da quimioterapia são extremamente fortes, não é uma ameixinha que vai curar nossa constipação, infelizmente. 

Mas, como eu não sou melhor que ninguém, também vou deixar minha receita infalível! Que, pasmem, funcionou até durante a quimioterapia! Própolis! Própolis é um santo remédio.

Estou há mais de um ano em tratamento e, até então, não havia tido nem mesmo um resfriadinho. Outro dia, acordei com a garganta arranhando. Pronto, fiquei desesperada! Você pode estar pensando "Ah, desesperar por causa de uma leve laringite?! Que exagero!" E talvez você tenha razão, mas a vida depois do câncer não é a mesma. A gente se desespera com qualquer coisinha, tem medo de qualquer diagnóstico, treme pra fazer o exame mais bobo. Eu sabia que minha imunidade estava baixa, quase não pudera fazer quimioterapia por causa disto. Então, meus primeiros pensamento foram sobre no que poderia se tranformar aquele simples resfriadinho em um corpo sem defesas...

Como eu ia dizendo, acordei com a garganta arranhando, me desesperei, mas resolvi seguir uma antiga receita que sempre deu certo comigo: borrifar própolis na garganta várias vezes até melhorar. Uso sempre aquele spray de farmácia, mas o de própolis, sem mel, sem romã, só própolis e água. Ah, e uma ou duas vezes ao dia, tomo uma misturinha caseira, limão, mel e extrato de própolis (só cuidado com o estômago, que a mistura é forte). Pronto, dois dias depois, eu não tinha nem sinal de inflamação!

obs: Ninguém, especialmente quem está em tratamento quimioterápico, deve usar de qualquer medicamento, ainda que natural, sem orientação médica.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Utilidade Pública 7: Sintomas do Câncer de Mama


Fique alerta diante de qualquer um destes sinais apresentados a seguir. Eles podem ou não significar a presença de um câncer, por isso a importância de uma avaliação médica.

Mas, atenção: o câncer de mama em fase inicial, geralmente, não tem sintomas. Então,  não deixe de fazer seus exames regularmente!



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Utilidade Pública 6: Outubro Rosa

Esse é o mês de campanha para a prevenção ao câncer de mama. Vale lembrar que, se a doença for detectada em estágio inicial, a chance de cura chega a 90%.  Então não deixe de fazer seus exames! 

Hoje em dia, com os frequentes casos de câncer de mama em mulheres cada vez mais novas, acho falho que a mamografia seja indicada somente para mulheres acima de 40 anos (ou 35 no caso de câncer de mama na família). Infelizmente, isso ocorre principalmente porque o exame é caro e tanto SUS, quando os planos de saúde, preferem economizar na prevenção a evitar tratamentos onerosos (o que, além de cruel, é uma tremenda burrice, já que o tratamento é beeeemmm mais caro).

De qualquer forma, as mulheres que ainda não possuem indicação para mamografia, podem fazer o auto-exame (veja aqui) e devem ir ao médico e solicitar o exame clínico. Esse procedimento é parecido com o do auto-exame, mas ele é feito por um especialista capaz de detectar anomalias na mama, ou seja, mesmo fazendo o auto-exame, você deve ir ao médico fazer o exame-clínico. Mas, como o tumor só começa a ser sentido nesse tipo de exame, quando já está medindo um centímetro ou mais (e um tumor com esse tamanho já não está mais no primeiro estágio), converse com seu médico sobre a possibilidade de fazer a ultrassonografia mamária. São ações simples, rotineiras e que salvam vidas! 

Lembre-se também que, quando antes descoberto um câncer, melhor será a qualidade de vida do paciente!

Minha querida amiga Carol lembrou de mim ao ver essa foto e postou no FB. Adorei ;)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Visual quimioterápico

Não adianta, a mulher tem uma relação muito forte com seus cabelos e público masculino normalmente agradece.

Eu estava no hospital e ouvi uma história que adorei. Gostaria muito de organizar um livro com essas histórias. Quem sabe um dia.

Uma senhora que fez quimioterapia contou que, quando estava em tratamento os cabelos caíram, mas, como eu, ela não se abalou em ficar careca. Por outro lado, quando os cabelos começaram a nascer brancos, ela, que sempre os pintara, ficou bem pra baixo.

Então, sem titubiar, assim que os pelos tinham um tamanhinho considerável, se dirigiu ao salão e os tingiu.* Entrou satisfeita com a decisão, mas não pediu sua cor de sempre, resolveu por algo que achou mais condizente com a sua idade, uns reflexos cinzas.

Depois de alguns longos minutos, o cabelereiro tirou o papel alumínio do seu cabelo e... Rosa! Eles estavam rosa! Ela ficou em choque, mas não podia mexer, o cabelo com a química fica fraco e risco de perdê-lo, no mínimo porque sempre o risco de prejuízo ao couro cabeludo e a saúde.

Como uma mulher moderna, a vovó punk assumiu suas novas madeixas e seguiu sua vida. Foi ao shopping fazer compras, já esquecida do recente estrago no visual. Estrago? De dentro de uma loja de moda jovem, sai um vendedor alegre e saltitante "Madame, Madame! Adorei seu visual, super fashion!"

Hoje, a tinta já saiu. Ela fez um corte moderno e resolveu manter a cor natural da idade.

Com esse história, acabei me lembrando de um a vez que fui trabalhar, era assembleia de cineastas e contecia no Tempo Glauber. Enquanto eu esperava as pessoas chegarem, fiquei batendo um papo leve com uma senhorinha simpática (ninguém mais, ninguém menos que Dona Lúcia, mãe do Glauber Rocha). Senti que ela estava assim, meio inquieta com o meu visu. Eu havia parado a quimio fazia pouco tempo e o cabelo já começara a nascer, mas estava bem curtinho, parecia raspado e eu colocava uns brincões, aproveitando pra fazer um estilo.

Depois de trocarmos algumas frases sem maior importância, Dona Lúcia não se conteve e disse "É, agora está no moda, não é, cortar o cabelo assim curtinho..." Tão delicada, tadinha, falou de uma maneira muito sutil, mas eu notei que ela não gostou muito do meu visu radical. kkkkkk

Fiquei pensando o que dizer para um senhorinha, tão senhoria. O que realmente vale a pena saber nessa idade? Até onde poupar a pessoa da vida, afinal, ela continua viva. Resolvi por dizer "Na verdade, eu não cortei, eles caíram com um medicamento que tive que tomar, mas agora já está tudo bem!" Ela respondeu "Ah, é? Mas que bom que já está tudo bem, né?" (Bonitinha!) Melhor dessa forma, acredito que os idosos, ainda que por motivos diferentes, devem ser poupados de certos detalhes, assim como as crianças.

Nesse fim de semana comprei um arco muito bonitinho, assim, estilo menininha (não ando curtindo mais o estilo radical com o qual me diverti vestindo no início da quimio). Sabe que gostei?!


*obs: antes de pintar o cabelo, o paciente que fez quimioterapia deve procurar orientação médica, porque no corpo ainda se concentra parte da medicação, que pode trazer prejuízo à sua saúde, quando em contato com a tintura.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Já que ela disse...


Sabe quando alguém fala ou escreve exatamente o que você pensa e você tem a certeza de ambas sente a mesma coisa? Isso aconteceu comigo quando li o texto abaixo da Marcia Cabrita (blog genial!). Aliás, acontece com quase todos os texto que leio dela, esse em especial, porque já li várias vezes, em contextos diferentes, e sempre noto essa sintonia!


Ainda que a gente tenha reagido de maneira diferente às etapas da doença (aliás, doenças diferentes), sempre concordo com o ponto de vista dela. Temos pensamentos parecidos, nos incomodamos com as mesmas coisas.

Então, como acredito que o que está bem feito não precisa, nem deve ser refeito, segue abaixo o texto da Marcia Cabrita, originalmente publicado na Revista O Globo:




Eu fiquei gravemente doente. Ao contrário do que muitos fantasiam, não tirei de letra. Não sei o porquê, mas existe uma idéia estapafúrdia de que quem está com câncer tem que, pelo menos parecer herói. Nãnanina não! Quem recebe uma notícia dessas não consegue ter pensamentos belos. Bem... eu não conseguia. A cobrança de positividade acabou se tornando um problema. Me olhava no espelho branca, magrela e de cabelos curtinhos (antes de caírem) e me achava pronta para fazer figuração na Lista de Shindler. Achava que não tinha chance de sobreviver à cirurgia, só pessoas que não tinham maus pensamentos sobreviviam. Muitas vezes deixei de comprar coisas para mim porque tinha que deixar tudo para minha filha. Bem, se na minha cabeça era esse o pensamento que reinava ... Sem chance.

O mundo moderno é incrível. Tudo é maravilhoso, não existe sofrimento! As separações são sempre amigáveis e sem lágrimas, as mães não tem mais o direito de embarangar e ficar em casa lambendo a cria. Um mês depois estão lindas, magras, com barriga sarada! Os atores não ficam desempregados, estão sempre felizes com um convite que ainda não pode ser revelado! Quimioterapia é moleza! Vem cá, só eu que não moro na Disney?

Hoje percebo que precisei viver esse luto. Ele passou, apesar do medo fui confiante para o hospital. Mas outras angústias vieram. Sofri pelo que é “o de menos”, chorei pelos cabelos, pelas sobrancelhas, pelos cílios e pelo ... resto que vocês sabem. Chorei pelas dores , enjôos, injeções e tudo mais. Eu me dei esse direito. Eu me dei o direito de ser humana. A Mulher Maravilha mora na televisão, eu moro na Gávea mesmo. A Mulher Maravilha dá aquela giro e sai linda e poderosa correndo para salvar pessoas. Se eu fizesse a mesma coisa cairia estabacada com a careca no chão. Então meu giro foi bem devagarzinho segurando na mão de minha mãe, de minha irmã e de meus queridos amigos e familiares. Girei amparada por dr Eduardo Bandeira, por Virginia Portas, dr Celso Portela e todos enfermeiros e profissionais de medicina que foram simplesmente maravilhosos comigo. Girei rindo e chorando com centenas de comentários no meu blog onde eu virei praticamente uma conselheira oncológica. Girei brincando com minha filha que fez questão de ir para escola de lenço na cabeça “igual a mamãe porque é muito legal”. Girei para salvar a mim mesma.
Sinceramente, não acredito em uma seleção divina. Muitas pessoas bacanas e crianças morrem e isso não é nem um pouquinho justo. Acho um saco quando dizem “ Fulano perdeu a batalha contra o câncer” , “Fulana tem tanta vontade e alegria de viver que foi salva”ou “ O amor por meus filhos me salvou”. Me parece tremendamente injusto. Quer dizer que quem morre não amava a vida? O amor pelos filhos não era grande o suficiente? A fé foi pouca? Pensamento bem cruel, não é mesmo? E é uma coisa bem esquisita, isso só acontece com o câncer, a única doença tão estigmatizada. Ninguém diz que alguém perdeu a batalha para o enfarte, nem que amava tanto a vida que ficou bom da tuberculose.

Re-mis-são. Estou em remissão. Quem não apresenta mais sinais da doença pelo corpo não pode sair correndo gritando que está curada, então saio correndo e gritando que estou em remissão!!! Eba! Remissão é muito bom!!

Vi uma foto minha na internet com meus companheiros de Subversões Aloísio e Salem em que estou com um largo sorriso. Eu estava verdadeiramente feliz. Sem a pílula da felicidade, sem fingir meus sentimentos, sem bancar a maravilhosa. Era eu simplesmente feliz.

E agora ... chega desse assunto! Eu sou atriz e tô mais preocupada com o um convite que não pode ser revelado.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Autopiedade


Quando a gente acha que está ruim, basta olhar para o lado. Ser solidário a dor do outro é um exercício para curar as próprias feridas. Essa semana eu fiquei cheia de autopiedade, sofrendo com motivos (e muitos!), mas cheia de pena de mim mesma! 


Foi então que, agora à tarde, uma amiga postou no facebook, novamente, um pedido de ajuda para um menina. Ela tem leucemia e precisa da doação de plaquetas. A menina em questão tem uns 3 aninhos e é sobrinha de uma amiga minha. (não consegui descobrir a idade certa no blog, mas vou perguntar a Ju)

Fiquei pensando, se eu acho que sou nova e não vivi nada, e essa criança, um anjinho?!

Obrigada, Marinão, por me lembrar que já vivi bastante e que continuo viva. Por isso, vou sair mais alegre para aproveitar meu fim de semana. E não estarei triste pela pequena Luísa, porque sei que Deus, que tem ao seu lado os anjos, está ao lado dela e de sua família.

Bem, segue abaixo o link do blog da Lulu, agradeço a quem puder ajudar nas doações de plaquetas!



Local para doação: Hematologistas Associados, Rua Conde de Irajá, 183 de 8 às 16 horas durante a semana e de 8 às 12 horas aos sábados. Tel: 2537-7440. Informar que é para a paciente Luísa Burigo de Sá. O site disponibiliza os critérios para se tornar um doador.
www.hematologistas.com.br


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Amazonas palpáveis

No fim de semana, eu estava lendo o livro "De amor tecida", o relato de Licia Olivieri sobre sua batalha contra o câncer de mama. Em um dado momento do livro, a autora faz uma comparação entre mulheres com câncer de mama e as Amazonas, guerreiras da lenda grega, que amputavam os seios para manejar melhor o arco e as flechas, e enfrentavam, destemidas, os mais valentes soldados. 

Achei a comparação bem interessante, então fiz uma colagem de textos que encontrei na internet sobre a lenda:



As Amazonas eram guerreiras, donas de armas, cavalos e com uma estrutura social própria. Foram imortalizadas na maioria das lendas por sua coragem de luta quando enfrentavam os homens que tentavam submetê-las. Independentes, viviam em ilhas ou perto do mar e frequentemente recebiam visitas de aventureiros. Algumas engravidavam deles, mas ficavam somente com as filhas. Os filhos eram entregues ao pai.

Segundo a etimologia popular grega, a palavra Αμαζών, Amazôn, significaria "sem seio" (a-, "sem" + mazos,"seio"). As Amazonas mutilavam o seio direito para que manejassem melhor o arco e outras armas. Sacrificavam sua feminilidade para combater na luta pela independência e para fortalecer a deusa Ártemis de Éfeso.  Apesar disso, as amazonas geralmente aparecem com ambos os seios em toda a iconografia antiga, que freqüentemente também as representa vestidas à maneira dos citas.

O mito das Amazonas simbolizam as mulheres que ao longo do tempo lutam para derrubar preconceitos, não se rendendo à submissão e à violência masculina; que não aceitam o tradicional papel doméstico imposto à figura feminina e mais do que em todos os tempos, estão enganjadas contra a violência doméstica. 


As mulheres do mundo atual não guerreiam com armas e, quando mutilam os seios, é por causa da luta contra o câncer, defendendo a própria vida. São as guerreiras que não se entregam e resistem, enfrentando o mal do século.


obs: E, para quem não acredita em coincidências, também segundo a lenda grega, as Amazonas eram da Capadócia (atualmente, Turquia), na Ásia Menor. Salve Jorge! ;)

Textos retirados dos sguintes links:
http://pt.fantasia.wikia.com/wiki/Amazonas
http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2011/06/amazonas-as-mulheres-guerreiras.html

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Tratamento duro de roer

Sabe o que acho mais difícil do tratamento de câncer? É você ter que se voluntariar para o sofrimento tendo a consciência de que isso é para o seu melhor.

Quando alguém quebra uma perna ou tem um crise renal, vai ao médico para se tratar e tem de imediato o alívio do sofrimento. A causa e a consequência seguem uma lógica dentro de um sistema compensatório. "Estou sofrendo, procuro o médico, alcanço a cura."

No tratamento de câncer de mama não! Você está aparentemente bem, porque o câncer de mama raramente gera algum desconforto. Depois de operada, sem o tumor, parece que está tudo certo. Não está. Mas seu corpo tem aspecto saudável, vigoroso. É então que o indivíduo começa uma romaria de horrores, perda de cabelo, queimadura, enjôos, vômito, prisão de ventre, fraqueza, mal estar... A lista é interminável.

Se manter lúcida, aceitar o tratamento e não se revoltar contra a ciência, que ainda sabe tão pouco sobre a essa doença é vital, mas, às vezes, é quase impossível!

Agora, terminei o tratamento que estava previsto e estou fazendo avaliação para ver se está tudo bem ou se será preciso continuar com a químio. Espero que esteja tudo ok, porque já estou louca pra voltar a vida normal. Se é que isso é possível...