Mostrando postagens com marcador câncer de mama. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador câncer de mama. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Câncer de mama x aumento de peso

Eu tive esse problema e vc?

Estudo mostra alta taxa de sobrepeso em pacientes com câncer de mama

Por outro lado, desnutrição foi um problema frequente em pessoas com câncer do trato gastrointestinal.
 
Agência Notisa – Os efeitos colaterais decorrentes do tratamento do câncer podem afetar significativamente tanto o estado nutricional quanto a qualidade de vida do paciente. No estudo “Estado nutricional e qualidade de vida de pacientes em tratamento quimioterápico”, publicado na Revista Brasileira de Cancerologia, do Instituto Nacional de Câncer, verificou-se alta prevalência de pacientes que apresentavam pelo menos um sintoma relacionado ao tratamento.

Náuseas e disgeusia (alteração de paladar) foram os dois sintomas mais relatados, informam os autores da Universidade Federal do Pará. Eles verificaram, por meio do IMC, que metade dos pacientes avaliados apresentava eutrofia (ação normal das funções nutritivas). Entretanto, a taxa de sobrepeso foi elevada (38,3%), sendo a maior frequência observada em pacientes portadoras de câncer de mama.

Os autores explicam que apesar dessa relação (câncer de mama X sobrepeso) ainda não estar totalmente esclarecida, ela pode ser associada tanto à ingestão alimentar inadequada, ao decréscimo de atividade física influenciado pela própria doença, à alteração da taxa metabólica basal ou menopausa quanto ao tipo de protocolo quimioterápico utilizado, que pode afetar diretamente a composição corporal dessas pacientes, uma vez que algumas medicações utilizadas em conjunto, como os glicocorticóides e terapia hormonal, promovem retenção hídrica e aumento de gordura corporal.

Também foi verificada a presença de desnutrição, principalmente, nos portadores de câncer do trato gastrointestinal (27,3%). “A desnutrição é muito comum em pacientes que apresentam câncer no trato digestivo, principalmente devido à baixa ingestão alimentar decorrente da sintomatologia e da presença do tumor, frequentemente, de caráter obstrutivo, que, além de prejudicar a absorção adequada do que é ingerido, impede a ingestão de alimentos em consistência sólida, que confere maior aporte calórico, se comparados a alimentos líquido-pastosos, melhor tolerados por esses pacientes na maioria dos casos, quando ainda conseguem se alimentar por via oral”, explica a equipe na publicação.

Para ler o artigo na íntegra, acesse: 
 
Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Machucados, linfonodos e linfedemas

Eu moro perto do Batalhão da PM de Nova Friburgo (Isso mesmo, a cidade só tem um batalhão! Aliás, esse batalhão serve a não sei quantas outras cidades vizinhas... kkkk Um dia me acostumo... kkkk). Hoje, indo para o trabalho, me distraí com os soldados correndo e cantando aquelas musiquinhas (acho muito engraçado!), acabei tropeçando e levei um tombo horroroso! (vai, caçoa dos outros, que Deus castiga!)

A queda foi feia (vergonha! na frente do batalhão inteiro!!!), mas o estrago foi pequeno. O problema é que ralei a mão, e, como sempre acontece nessas ocasiões, machuquei exatamente o lado esquerdo, o operado. Para quem não sabe, durante a mastectomia pode ser feita retirada parcial ou total dos linfonodos (mais explicações abaixo). No meu caso, foram retirados somente os linfonodos sentinelas, mesmo assim os médicos me orientaram a tomar muito cuidado com o  braço esquerdo, para evitar o linfedema (inchaço do braço).

Na hora fiquei tão nervosa com a minha mão sangrando que nem aproveitei a paisagem daquele PM gatéeeerrimo que veio correndo me ajudar. Por que fui me preocupar tanto com a mão? Bem, que podia ter fingido uma torção no pé e pedido um colinho! (kkkk ok, maridão, ignore essa passagem kkk) Mas eu só conseguia pensar em como evitar um linfedema. Linfedema, não! Linfedema, não!

Fui até a farmácia mais próxima, fiz um curativo e liguei para minha amiga médica para confirmar se deveria fazer mais alguma coisa. Não, era só isso mesmo, manter o machucado limpo, protegido e observar se está cicatrizando normalmente.

Quer entender melhor o que são e como funcionam os linfonodos? Leia abaixo!


     
Os linfonodos ou gânglios linfáticos são pequenos órgãos compostos por tecido linfóide que se encontram espalhados pelo corpo, sempre no trajeto de vasos linfáticos.  Os linfonodos atuam como filtro da linfa, antes da mesma retornar ao sangue, cada grupamento linfonodal é responsável pela drenagem de determinada parte do corpo, um exemplo são os linfonodos axilares que recebem tanto a linfa da mama como do braço.

Os linfonodos atuam como filtro da linfa. Quando algum microorganismo invade o corpo, ele é detectado ao passar por um linfonodo e começa haver multiplicação das células de defesa (linfócitos).

Alguns tipos de cânceres têm como sua principal via de disseminação pelo corpo o sistema linfático, o câncer de mama é um desses exemplos. (Quando há comprometimento de um linfonodo por câncer ele também pode aumentar de tamanho.) O comprometimento dos linfonodos axilares é um dos principais indicadores da evolução da doença, logo a sua retirada e avaliação pelo patologista orientam o mastologista quanto à necessidade de outros tratamentos, como quimioterapia ou radioterapia, e também quanto a necessidade da retirada total dos linfonodos (em caso de comprometimento pelo câncer).

Durante a cirurgia, com a paciente ainda anestesiada, é realizada a biópsia de congelação (uma técnica de biópsia mais rápida, já que a paciente está anestesiada). Se o linfonodo estiver negativo, não se realiza o esvaziamento axilar.

Após a retirada dos linfonodos, as pacientes devem ter alguns cuidados (listados abaixo), a fim de evitar complicações. A complicação mais desconfortável para a paciente decorrente do esvaziamento axilar é o linfedema. Esse se manifesta com aumento do volume do braço (inchaço) e também pode ocorrer em diversos graus, desde alterações reversíveis e discretas até grandes inchaços com comprometimento da função do membro acometido.



terça-feira, 16 de julho de 2013

De volta à vida

Parece que finalmente a tormenta passou! A quimioterapia acabou, a cirurgia de reconstrução foi um sucesso, retornei ao trabalho (quero dizer, comecei de fato) e me instalei com o maridão em um apzinho liiiiindooooooo!

As coisas estão indo tão bem que até consegui me controlar durante a cintilografia óssea! kkkkk Pra quem não sabe, a cintilografia exige que o paciente fique imóvel enquanto o aparelho faz uma varredura por todo o corpo e isso dura hoooooras! (horas emocionais, claro, porque na verdade são apenas alguns minutos). Eu tenho uma certa claustrofobia com aquele aparelho e tento me controlar, mas sempre acabo dando um chilique de pelancas. Choro compulsivamente, entro em desespero, grito para me soltarem (eles amarram nossos braços), um horror! Mas dessa vez foi diferente! Fiz o exame de primeira, fiquei tensa, angustiada, mas consegui me controlar direitinho!

Ah, o mais importante: o resultado do exame foi bem satisfatório! Menos dois pontos. E, ao contrário do trivial, na cintilografia, quanto menos pontos, melhor! No exame que detectou a doença óssea, foram registrados 7 pontos de metástase; no segundo,  5 pontos; e agora 3 pontos!

Minha onco disse que eu estou ótima e que as perspectivas são as melhores possíveis. Hoje eu me trato com o famoso tamoxifeno e tenho reagido muito bem a ele!

sábado, 13 de abril de 2013

Reconstrução - mais uma etapa de sucesso!

Queridos,

completei duas semanas de operada. A cirurgia de reconstrução foi um sucesso e corre tudo bem! Tive uma febrinha, o que deixou algumas pessoas preocupadas. A febre foi causada por uma pequena inflamação na mama esquerda, coisa à toa! Agora já está tudo perfeito, tenho até que me controlar para não me esforçar demais e prejudicar a recuperação. Segunda-feira tiro os pontos, ansiedade no auge!!!

Ah, não posso deixar de contar pra vocês, que a pessoa louca aqui esqueceu de levar os exames no dia da cirurgia! Eu levei os exames para 2 consultas com os plásticos, o chefe e o residente viram, anotaram, mas disseram que seria necessário que eu levasse para cirurgia mesmo assim. Depois de mostrar os exames para mais uns não sei quantos médicos, acabei tirando-os da bolsa e me esquecendo totalmente desse "detalhe irrelevante".

Já no centro cirúrgico de camisola e toquinha, o Dr. Rodolfo, do seu jeito sempre gentil, me deu a notícia de que, se a anestesista não aceitasse participar da cirurgia sem ver os exames, minha operação teria que ser remarcada. Hein? Surtei! Como assim? Quer matar o ser humano do coração?!

Eu disse que achava que a oncologista tinha anotado tudo no prontuário e que eles também  poderiam puxar os dados do exame de sangue no sistema. Ele alertou para o fato de que o risco cirúrgico não fica no sistema. Aí, me lembrei de que havia deixado o exame de sangue em casa, mas estava com o risco cirúrgico no leito junto a outros documentos. A anestesista, uma querida, que estava a ponto de aceitar fazer a operação sem ver os exames, já que o plástico garantiu que havia visto e estava tudo bem, ficou ainda mais tranquila com a chegada do exame cardiológico.

Ufa. Que susto. Passei por essa.

Bem, depois disso a anestesista veio conversar comigo, como é de praxe. Ela me fez algumas perguntas e disse que me daria um raqui. Não vou negar que fiquei com medo. Sempre tive pavor da anestesia geral, mas, depois de passar por duas, já estava convencida de que não teria problemas. Então, quando ela me apresentou essa novidade, bateu aquela insegurança: Será que vai doer? Será que vai ter efeito colateral? Não seria melhor a anestesia geral?

A anestesista, mesmo sem que eu dissesse nada, notou meu nervosismo e disse que traria seu "coração" para eu apertar. Minutos depois ela apareceu com com uma daquelas "bolinhas terapêuticas" em formato de coração. Então, até adormecer fiquei massacrando o coração da anestesista.

Muito bom estar sob o cuidado de profissionais tão atenciosos!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Ficando pop ;*)

Como prometido, segue a minha entrevista para o Oncoguia!
Entrevista retirada do link: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/cancer-de-mama-cristiane-chagas/3022/304/


Instituto Oncoguia - Você poderia se apresentar?

Cristiane Chagas - Meu nome é Cristiane Chagas, eu tenho 33 anos, desconfiei que tinha um nódulo aos 30, fui diagnosticada com um câncer de mama aos 31 e com metástases ósseas aos 32. Tenho pais e marido que me apoiam muito. Não tenho filhos.

Instituto Oncoguia - Como você descobriu que estava com câncer de mama?

Cristiane Chagas - No autoexame. Coma já tinha tido alguns nódulos na mama e nunca era nada sério, não fiquei muito preocupada quando apalpei o câncer, mesmo assim fui ao médico porque estranhei o tamanho e a textura do nódulo.

Instituto Oncoguia - Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu?

Cristiane Chagas - Arrasada pela notícia, arrasada por ver o estado da minha mãe (que perdeu os pais com câncer). Impossível dar nome aos meus sentimentos, nem sei o que senti, foi um choque! Eu estava confiante, não acreditava nesse diagnóstico. De repente o chão se abriu debaixo de mim.

Instituto Oncoguia - Qual era a sua maior preocupação neste momento?

Cristiane Chagas - Tanta coisa passa pela cabeça da gente que eu teria uma lista. Mas numa ordem cronológica, acho que de imediato tive uma preocupação com o emocional dos meus pais, logo em seguida quis muito saber se ainda poderia engravidar e, quando comecei a fazer os exames, fiquei ansiosa com o resultado em especial da cintilografia óssea para saber se estava com metástases, meu grande medo.

Instituto Oncoguia - O que aconteceu depois disso?

Cristiane Chagas - Depois disso era tentar controlar o emocional e focar na cirurgia e tratamento. Foi assim que aconteceu. Passei a frequentar com a minha família o grupo de apoio às pacientes com câncer de mama, o que nos ajudou muito a lidar com essa nossa realidade.

Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento?

Cristiane Chagas - Operei, fiz quimioterapia e radioterapia. Pedi para a médica para fazer a radio entre as "vermelhas” e as "brancas” porque a última aplicação da "vermelha” tinha me deixado muito mal e eu nem conseguia chegar perto da sala da quimioterapia sem sentir náuseas. Ela autorizou. Quando estava terminando as "brancas”, comecei a sentir uma dor que se tornou insuportável e descobri que estava com metástases ósseas.

Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê?

Cristiane Chagas - Sem dúvida a quimioterapia, eu tinha muito medo de ficar queimada com a rádio, mas tomei bastante cuidado e achei o resultado bem positivo. Já a quimio vai te enfraquecendo aos poucos (quando não faz isso de uma vez só), no início eu me sentia muito bem, levava a minha vida normalmente, depois fui ficando muito debilitada, uma sensação horrível de estar definhando.

Instituto Oncoguia - Você teve efeitos colaterais? Qual o pior?

Cristiane Chagas - Claro, mas, ao contrário da maioria, não achei a perda de cabelo um grande drama, curti as etapas de crescimento do cabelo, inclusive a careca, numa boa, mesmo sentindo falta do meu cabelão de antes. O mais difícil para mim foi quando comecei a ficar debilitada (ou por causada quimio ou por causada das metástases) e não conseguia desenvolver minhas atividades diárias como antes. Não poder caminhar para mim, que sempre fiz tudo andando, era uma grande martírio.

Instituto Oncoguia - Como foi a relação com o seu médico?

Cristiane Chagas - Foi boa, mas eu sempre queria saber mais detalhes e ele não queria me dar muitas explicações, aquilo me deixava angustiada. Isso se tornou mesmo um problema insuportável quando recebi a notícias das metástases ósseas. Fiquei desesperada, apavorada e precisei buscar explicação com outros médicos. Por último acabei trocando de oncologista, porque achei que um profissional que conversasse comigo, que entendesse minha necessidade de saber os detalhes da doença e do tratamento, me deixaria mais estável emocionalmente, o que tem total interferência no resultado do tratamento.

Instituto Oncoguia - Com que outro profissional você se relacionou?

Cristiane Chagas - Nossa, com vários! O câncer é uma doença que precisa realmente de uma equipe multidisciplinar e fiz questão do apoio de todos eles! Mastologista, oncologista, cirurgião plástico, assistente social, advogado, enfermeiros, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo… Quase todos eles lá mesmo no Hospital da Lagoa.

Só não senti necessidade de nutricionista, como não tive problemas com os meus exames durante o tratamento e como minha alimentação sempre foi balanceada, não fiz questão de procurar algum nutricionista, mesmo assim, recebi orientações da equipe de enfermagem nessa área, incluindo cartilhas.

Instituto Oncoguia - Você fez acompanhamento psicológico?

Cristiane Chagas - Sim, e fez toda a diferença! Minha psicóloga é ótima e além de me apoiar no lado emocional, me auxilia também em questões práticas, como, por exemplo, indicando profissionais de sua confiança, com experiência com pacientes com câncer de mama e muitos atenciosos, características que julgo muito importante para quem está passando pelo tratamento de um câncer.

Instituto Oncoguia - Você está em tratamento ou já finalizou?

Cristiane Chagas - No momento estou fazendo hormonioterapia (oral) e me preparando para minha reconstrução.

Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje?

Cristiane Chagas - Hoje estou ansiosa para fazer a reconstrução e retomar a minha vida. Voltar a trabalhar…

Instituto Oncoguia - Conte-nos sobre seu trabalho e planos para o futuro.

Cristiane Chagas - Antes do diagnóstico do câncer de mama eu havia passado em um concurso público, durante o tratamento fui convocada e aprovada. Tomei posse, mas precisei tirar licença. Estou louca para começar a trabalhar!

Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje?

Cristiane Chagas - Diga sim! Aceite sua nova condição, aceite seu tratamento, aceite a ajuda das pessoas que te amam. Chore quando tiver vontade e sorria sempre que puder. Negar é comum (e compreensível) nessas horas, mas não ajuda em nada.

Instituto Oncoguia - Qual a importância da informação durante o tratamento de um câncer?

Cristiane Chagas - Toda! Informação é tudo, não é a toa que a mídia é conhecida como o 4º poder. A informação é uma arma para aprendermos a lidar com nosso corpo, com a doença, com os efeitos colaterais, para brigar contra as deficiências do sistema público ou privado de saúde, para buscarmos o cumprimento dos nossos direitos.

Instituto Oncoguia - Você buscou se informar?De que maneira?

Cristiane Chagas - Na internet, no site do Oncoguia, em estudos do Inca. Mas, quando entendi que o tratamento do câncer tem que ser individualizado, que cada um tem um tratamento (mesmo existindo um protocolo básico) e que cada um reage de uma maneira, fui buscar médicos que pudessem responder minhas questões com base nos meus exames.

Instituto Oncoguia - Como você conheceu o Oncoguia?

Cristiane Chagas - Através do selo "amigo do oncoguia” em blogs de mulheres com câncer de mama.

Instituto Oncoguia - Você tem alguma sugestão a nos dar?

Cristiane Chagas - Cada vez mais admiro o trabalho do Oncoguia! Acho que mais ações dentro de hospitais – públicos em especial – poderiam informar e mobilizar os pacientes em relação aos seus direitos e deveres.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Vaidosa sempre!

3 meses sem quimioterapia, 7 quilos mais magra (e/ou menos inchada) e a espera da cirurgia de reconstrução! 

Desde que eu terminei a quimioterapia em janeiro, estou brigando com a minha imagem no espelho. Inchada, gorda, branca, cheia de celulite, enjoada do meu cabelo curto (que resolveu crescer pra cima kkk) e do meu bronzeado from Finlândia, cansei de me sentir feia e decidi fechar a boca! Ah, peguei um solzinho também.

O resultado veio logo e vocês podem notar nas fotos abaixo.

*Essas fotos não são exemplares porque tem uma luz 
amarela que não favorece na "depois" e porque hoje já estou 
mais magra. De qualquer forma, dá pra ter uma boa noção do contraste. 

Ao contrário do que as pessoas pensam e pregam, eu nunca consegui focar exclusivamente na minha cura, pensar que o tratamento estava tão alto num pedestal que as outras coisas da vida passavam a ser insignificantes. "Agora você tem que se preocupar com a sua saúde!", "Uma coisa de cada vez!" Eu sei que o tratamento tem total prioridade, mas continuei sendo vaidosa. Continuo achando péssimo ter celulite, estar acima do do peso. Fiquei super incomodada com o surgimento de novas microvarizes e por aí vai. Mas também aprendi a ser mais tolerante com as imperfeições, acho até que vou sofre menos quando eu começar a sentir o peso da idade (porque ela vai chegar, né?! espero que sim...).

Bem, com o fim da quimioterapia já posso retomar minha rotina de vaidade: cutilar as unhas dos pés (já que a das mãos não poderei mesmo voltar a fazer), esclerosar as micro varizes (liberada!), fazer dieta (antes, mesmo se eu fizesse, não adiantava nada por causa da cortisona) e... tan, tan, tan, tannnnn! fazer minha reconstrução que foi adiada, mas está confirmadíiiiiiiiiisima para o próximo dia 28!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Questões oncológicas em debate

Ontem estive no II Fórum Regional de Discussão de Políticas de Saúde em Oncologia, organizado pelo Instituto Oncoguia. Foi uma experiência muito satisfatória. É ótimo ver que existe um grupo de pessoas -  especialistas, profissionais da área médica, jurídica, administrativa, pacientes (eu!)...  - pensando, discutindo e buscando soluções para as questões (e bota questão nisso) dos pacientes oncológicos. Vi minhas críticas e  minhas dúvidas serem expostas e debatidas. 

"O paciente deve ser tratado em um único hospital e ter um único prontuário, para que suas informações médicas estejam centralizadas e seu tratamento tenha sucesso."*
"O médico deve conversar com seu paciente, olhar nos olhos, explicar sobre a doença e sobre o tratamento." 
"O paciente tem que ter acesso ao que há de melhor para o tratamento da sua doença. É possível ofertar isso na rede pública? E nos planos de saúde?"

Esses e muitos outros assuntos com os quais me debato diariamente foram refletidos de forma séria e responsável e com o foco na solução. É sempre bom saber que não estamos sozinhos!

Ah, dei uma pequena entrevista para a jornalista do Oncoguia, suponho que em breve esteja no site deles. Quando estiver disponível, eu publico aqui para vocês! ;)

*Desde o início do ano, por incrível que pareça, o governo determinou que o paciente seja direcionado a clínica da família, toda vez que tiver indicação de procurar uma nova especialização médica, mesmo já estando em tratamento no hospital. A clínica da família por sua vez pode encaminhar esse paciente para qualquer outro hospital (e só Deus sabe o critério...).

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Atualizando: good news!

Há mais de um mês não escrevo no meu bloguinho :( Não foi abandono, não. Mas o fim de ano, que já é confuso para qualquer um, pra mim ficou ainda mais complicado porque comecei a tomar uns medicamentos que me deixaram dopada, dormindo praticamente o dia inteiro e, quando estava acordada, ficava um zumbi! Agora, os efeitos colaterais estão diminuindo e eu já me sinto bem melhor.

Ahhhhhhhhhhh, eu tenho boas notícias! A quimioterapia foi interrompida e estou fazendo somente a hormonioterapia! Huhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!! Fui liberada para fazer a reconstrução e estou pré-agenda para esse mês ainda! Grande presente de aniversário!!!

Além disso, como estou me sentindo bem, tenho ido a uns eventos pré-carnavalescos. Sábado eu e Rapha fomos ao bloco Timoneiros da Viola: MARAVILHOSO! Pena que não pudemos ficar até o final... Mas curtimos bastante e, de quebra, presenciamos uma grande vaia ao nosso "querido" prefeito. Quando mais o cantor tentava exaltá-lo "Gente, vocês esqueceram? Ele fez o Parque de Madureira. Ele reformou a quadra da Portelela." Mais intensa era a vaia. Orgulho de ver o povo não se render a obras eleitoreiras e conseguir ver a gestão como um todo! (Mesmo tendo que admitir que o Parque de Madureira é fantástico!)

Política à parte, estou muito feliz de ver que minha vida vai, finalmente, andar pra frente!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quimio eterna quimio

Segunda-feira tive mais uma sessão de quimio. Ando de saco cheio desse processo todo e enlouqueço ao pensar que minhas atuais perspectivas são de que isso seja eterno com intervalos de em média 3 meses a um ano! Imagina, 3 meses, mal termino de fazer os exames de reestadiamento e, pronto, toma quimio novamente! (obs: se for assim, não vou sair nunca do estágio probatório. Ah, é, pra quem ainda não sabe, no meio dessa confusão que se chama vida, passei para área administrativa da UERJ!)

Na minha última consulta, a médica disse que a gente terminaria esses 2 ciclos e faria os exames pra saber se continua nessa fórmula ou se usamos outra. Fiquei revoltada! Hein?! Como assim? E a minha pausa? E a minha vida?! "Calma, também pode ser que façamos uma pausa..." "Ok, então não me provoca a fúria, tá?", pensei. Ela me deixa super insegura com esses comentários. Todas as vezes que ela jogou esses verdes, ela sabia muito bem do que estava falando, mas não queria liberar a verdade antecipadamente pra mim.

Então meu mau humor ficou tão grande, fiquei tão revoltada com a possibilidade de continuar nesse tratamento sofrido, nesse pileque sem fim (e pior, sem "cachaça"), nessa fraqueza, zonzeira... que nem consegui falar tudo que precisava. A consulta ficou pela metade. Ela marcou o retorno e eu nem vi a data.

Quando finalmente eu vi a data -  3 de janeiro*! - não entendi nada. Será que a médica viajou completamente ou resolveu me dar uma trégua? Na dúvida, decidi conversar com ela. Parece que, em função dos feriados de final de ano, eles estão com dificuldade de agendamento. Eu no fundo acho que ela quis me dar uma pausa maior, porque minha imunidade está muito baixa. Do ciclo passado para esse também tive mais de uma semana de intervalo e, mesmo assim, meus leucócitos estavam no limite.

Bem, vou aproveitar para curtir essas férias merecidas e rezar pra haver um milagre, uma revolução científica, qualquer coisa que me deixe aproveitar a vida com um pouco mais de tranquilidade!

*3 de janeiro é a próxima consulta, mas antes disso volto ao hospital para mais uma sessão de quimio, a última do ano.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Receitinha Infalível



Quando as pessoas sabem que estamos com uma doença difícil como o câncer, todo mundo quer ajudar, mas de que maneira? A verdade é que além de dar amor, apoio e carinho (o que é vital!) não há muito o que fazer. Na maioria das vezes, as pessoas acham que um abraço forte é pouco (não é!) e insistem em passar aquela receita perfeita para tratar os efeitos colaterais da quimioterapia ou até o próprio câncer!

"Olha, pro intestino preso você tem que comer fibras, cereais. Ameixa seca é uma beleza!" "Eu também acho. Impossível comer mais fibra que eu, querida, você não está entendendo... A questão é que nem mesmo óleo vegetal está dando jeito!"

"Você tem que comer inhame. Inhame filtra o sangue, é ótimo! Eu curei um problema sério no estômago comendo inhame!" "Mas eu como sempre, adoro!" (De fato como, adoro e realmente é recomendado pelos médicos para recuperação durante a quimioterapia) "Não, mas você tem que comer cru, batido com leite!" Deus me livre, odeio leite! Já pensou o terror que não é essa gororoba?! Deve curar qualquer coisa, as células, vírus, bactérias, devem todos sair correndo...

Eu acredito bastante no poder da alimentação, nos chás, nos fitoterápicos; o problema é que todos os efeitos colaterais da quimioterapia são extremamente fortes, não é uma ameixinha que vai curar nossa constipação, infelizmente. 

Mas, como eu não sou melhor que ninguém, também vou deixar minha receita infalível! Que, pasmem, funcionou até durante a quimioterapia! Própolis! Própolis é um santo remédio.

Estou há mais de um ano em tratamento e, até então, não havia tido nem mesmo um resfriadinho. Outro dia, acordei com a garganta arranhando. Pronto, fiquei desesperada! Você pode estar pensando "Ah, desesperar por causa de uma leve laringite?! Que exagero!" E talvez você tenha razão, mas a vida depois do câncer não é a mesma. A gente se desespera com qualquer coisinha, tem medo de qualquer diagnóstico, treme pra fazer o exame mais bobo. Eu sabia que minha imunidade estava baixa, quase não pudera fazer quimioterapia por causa disto. Então, meus primeiros pensamento foram sobre no que poderia se tranformar aquele simples resfriadinho em um corpo sem defesas...

Como eu ia dizendo, acordei com a garganta arranhando, me desesperei, mas resolvi seguir uma antiga receita que sempre deu certo comigo: borrifar própolis na garganta várias vezes até melhorar. Uso sempre aquele spray de farmácia, mas o de própolis, sem mel, sem romã, só própolis e água. Ah, e uma ou duas vezes ao dia, tomo uma misturinha caseira, limão, mel e extrato de própolis (só cuidado com o estômago, que a mistura é forte). Pronto, dois dias depois, eu não tinha nem sinal de inflamação!

obs: Ninguém, especialmente quem está em tratamento quimioterápico, deve usar de qualquer medicamento, ainda que natural, sem orientação médica.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Utilidade Pública 7: Sintomas do Câncer de Mama


Fique alerta diante de qualquer um destes sinais apresentados a seguir. Eles podem ou não significar a presença de um câncer, por isso a importância de uma avaliação médica.

Mas, atenção: o câncer de mama em fase inicial, geralmente, não tem sintomas. Então,  não deixe de fazer seus exames regularmente!



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Utilidade Pública 6: Outubro Rosa

Esse é o mês de campanha para a prevenção ao câncer de mama. Vale lembrar que, se a doença for detectada em estágio inicial, a chance de cura chega a 90%.  Então não deixe de fazer seus exames! 

Hoje em dia, com os frequentes casos de câncer de mama em mulheres cada vez mais novas, acho falho que a mamografia seja indicada somente para mulheres acima de 40 anos (ou 35 no caso de câncer de mama na família). Infelizmente, isso ocorre principalmente porque o exame é caro e tanto SUS, quando os planos de saúde, preferem economizar na prevenção a evitar tratamentos onerosos (o que, além de cruel, é uma tremenda burrice, já que o tratamento é beeeemmm mais caro).

De qualquer forma, as mulheres que ainda não possuem indicação para mamografia, podem fazer o auto-exame (veja aqui) e devem ir ao médico e solicitar o exame clínico. Esse procedimento é parecido com o do auto-exame, mas ele é feito por um especialista capaz de detectar anomalias na mama, ou seja, mesmo fazendo o auto-exame, você deve ir ao médico fazer o exame-clínico. Mas, como o tumor só começa a ser sentido nesse tipo de exame, quando já está medindo um centímetro ou mais (e um tumor com esse tamanho já não está mais no primeiro estágio), converse com seu médico sobre a possibilidade de fazer a ultrassonografia mamária. São ações simples, rotineiras e que salvam vidas! 

Lembre-se também que, quando antes descoberto um câncer, melhor será a qualidade de vida do paciente!

Minha querida amiga Carol lembrou de mim ao ver essa foto e postou no FB. Adorei ;)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Visual quimioterápico

Não adianta, a mulher tem uma relação muito forte com seus cabelos e público masculino normalmente agradece.

Eu estava no hospital e ouvi uma história que adorei. Gostaria muito de organizar um livro com essas histórias. Quem sabe um dia.

Uma senhora que fez quimioterapia contou que, quando estava em tratamento os cabelos caíram, mas, como eu, ela não se abalou em ficar careca. Por outro lado, quando os cabelos começaram a nascer brancos, ela, que sempre os pintara, ficou bem pra baixo.

Então, sem titubiar, assim que os pelos tinham um tamanhinho considerável, se dirigiu ao salão e os tingiu.* Entrou satisfeita com a decisão, mas não pediu sua cor de sempre, resolveu por algo que achou mais condizente com a sua idade, uns reflexos cinzas.

Depois de alguns longos minutos, o cabelereiro tirou o papel alumínio do seu cabelo e... Rosa! Eles estavam rosa! Ela ficou em choque, mas não podia mexer, o cabelo com a química fica fraco e risco de perdê-lo, no mínimo porque sempre o risco de prejuízo ao couro cabeludo e a saúde.

Como uma mulher moderna, a vovó punk assumiu suas novas madeixas e seguiu sua vida. Foi ao shopping fazer compras, já esquecida do recente estrago no visual. Estrago? De dentro de uma loja de moda jovem, sai um vendedor alegre e saltitante "Madame, Madame! Adorei seu visual, super fashion!"

Hoje, a tinta já saiu. Ela fez um corte moderno e resolveu manter a cor natural da idade.

Com esse história, acabei me lembrando de um a vez que fui trabalhar, era assembleia de cineastas e contecia no Tempo Glauber. Enquanto eu esperava as pessoas chegarem, fiquei batendo um papo leve com uma senhorinha simpática (ninguém mais, ninguém menos que Dona Lúcia, mãe do Glauber Rocha). Senti que ela estava assim, meio inquieta com o meu visu. Eu havia parado a quimio fazia pouco tempo e o cabelo já começara a nascer, mas estava bem curtinho, parecia raspado e eu colocava uns brincões, aproveitando pra fazer um estilo.

Depois de trocarmos algumas frases sem maior importância, Dona Lúcia não se conteve e disse "É, agora está no moda, não é, cortar o cabelo assim curtinho..." Tão delicada, tadinha, falou de uma maneira muito sutil, mas eu notei que ela não gostou muito do meu visu radical. kkkkkk

Fiquei pensando o que dizer para um senhorinha, tão senhoria. O que realmente vale a pena saber nessa idade? Até onde poupar a pessoa da vida, afinal, ela continua viva. Resolvi por dizer "Na verdade, eu não cortei, eles caíram com um medicamento que tive que tomar, mas agora já está tudo bem!" Ela respondeu "Ah, é? Mas que bom que já está tudo bem, né?" (Bonitinha!) Melhor dessa forma, acredito que os idosos, ainda que por motivos diferentes, devem ser poupados de certos detalhes, assim como as crianças.

Nesse fim de semana comprei um arco muito bonitinho, assim, estilo menininha (não ando curtindo mais o estilo radical com o qual me diverti vestindo no início da quimio). Sabe que gostei?!


*obs: antes de pintar o cabelo, o paciente que fez quimioterapia deve procurar orientação médica, porque no corpo ainda se concentra parte da medicação, que pode trazer prejuízo à sua saúde, quando em contato com a tintura.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Amazonas palpáveis

No fim de semana, eu estava lendo o livro "De amor tecida", o relato de Licia Olivieri sobre sua batalha contra o câncer de mama. Em um dado momento do livro, a autora faz uma comparação entre mulheres com câncer de mama e as Amazonas, guerreiras da lenda grega, que amputavam os seios para manejar melhor o arco e as flechas, e enfrentavam, destemidas, os mais valentes soldados. 

Achei a comparação bem interessante, então fiz uma colagem de textos que encontrei na internet sobre a lenda:



As Amazonas eram guerreiras, donas de armas, cavalos e com uma estrutura social própria. Foram imortalizadas na maioria das lendas por sua coragem de luta quando enfrentavam os homens que tentavam submetê-las. Independentes, viviam em ilhas ou perto do mar e frequentemente recebiam visitas de aventureiros. Algumas engravidavam deles, mas ficavam somente com as filhas. Os filhos eram entregues ao pai.

Segundo a etimologia popular grega, a palavra Αμαζών, Amazôn, significaria "sem seio" (a-, "sem" + mazos,"seio"). As Amazonas mutilavam o seio direito para que manejassem melhor o arco e outras armas. Sacrificavam sua feminilidade para combater na luta pela independência e para fortalecer a deusa Ártemis de Éfeso.  Apesar disso, as amazonas geralmente aparecem com ambos os seios em toda a iconografia antiga, que freqüentemente também as representa vestidas à maneira dos citas.

O mito das Amazonas simbolizam as mulheres que ao longo do tempo lutam para derrubar preconceitos, não se rendendo à submissão e à violência masculina; que não aceitam o tradicional papel doméstico imposto à figura feminina e mais do que em todos os tempos, estão enganjadas contra a violência doméstica. 


As mulheres do mundo atual não guerreiam com armas e, quando mutilam os seios, é por causa da luta contra o câncer, defendendo a própria vida. São as guerreiras que não se entregam e resistem, enfrentando o mal do século.


obs: E, para quem não acredita em coincidências, também segundo a lenda grega, as Amazonas eram da Capadócia (atualmente, Turquia), na Ásia Menor. Salve Jorge! ;)

Textos retirados dos sguintes links:
http://pt.fantasia.wikia.com/wiki/Amazonas
http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2011/06/amazonas-as-mulheres-guerreiras.html

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Petição para aprovação do Pertuzumab

Queridos, estou enviando o texto do link abaixo, que se refere a uma petição apelando ao governo a liberação de um medicamento extremamente importante para pacientes com câncer de mama metástico. Quem ainda não assinou, por favor, ao menos entre no link para ver (e assine se concordar!!!). É muito rápido e pode ajudar muitas pessoas! (O link diz que precisamos de 2000 assinaturas, mas acho pouco! Podemos ser muitos mais!)



"Por que isto é importante

O tratamento com Pertuzumab, quando combinado com quimioterapia e Herceptin, tem melhores resultados e doentes em fase avançada de câncer de mama comparativamente à outras terapias e é a esperança do aumento de sobrevida com qualidade de milhares de brasileiras com câncer de mama metástico por sobre-exposição ao HER2 que já passaram por todas as linhas de tratamento existentes."

"Nossas compatriotas brasileiras portadoras do câncer de mama metástico por sobreexposição ao HER2, que já receberam todas as linhas de tratamento quimioterápico existentes, têm direito à uma sobrevida maior e com qualidade, por meio do acesso ao medicamento Pertuzumab, que encontra-se em processo de liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Considerando que estudos clínicos já foram concluídos demonstrando a eficácia do Pertuzumab, solicitamos a ANVISA que não prolongue o drama de nossas conpatriotas vítimas daquela doença. As brasileiras tem o mesmo direito a usufruir do novo medicamento como européias e norte-americanas. ANVISA, Não prolongue o drama de nossas compatriotas que precisam do Peruzumab. Libere já!"

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Tratamento duro de roer

Sabe o que acho mais difícil do tratamento de câncer? É você ter que se voluntariar para o sofrimento tendo a consciência de que isso é para o seu melhor.

Quando alguém quebra uma perna ou tem um crise renal, vai ao médico para se tratar e tem de imediato o alívio do sofrimento. A causa e a consequência seguem uma lógica dentro de um sistema compensatório. "Estou sofrendo, procuro o médico, alcanço a cura."

No tratamento de câncer de mama não! Você está aparentemente bem, porque o câncer de mama raramente gera algum desconforto. Depois de operada, sem o tumor, parece que está tudo certo. Não está. Mas seu corpo tem aspecto saudável, vigoroso. É então que o indivíduo começa uma romaria de horrores, perda de cabelo, queimadura, enjôos, vômito, prisão de ventre, fraqueza, mal estar... A lista é interminável.

Se manter lúcida, aceitar o tratamento e não se revoltar contra a ciência, que ainda sabe tão pouco sobre a essa doença é vital, mas, às vezes, é quase impossível!

Agora, terminei o tratamento que estava previsto e estou fazendo avaliação para ver se está tudo bem ou se será preciso continuar com a químio. Espero que esteja tudo ok, porque já estou louca pra voltar a vida normal. Se é que isso é possível...



domingo, 29 de julho de 2012

Brincando com o visu

Olha eu de cabelo, gente!
Eu sei que vocês devem estar estranhando, eu fiz o maior discurso prócareca e aqui estou eu de peruca. Ou não... uns dia uso, outros não quero nem ver perto de mim... vai do humor, ou melhor, da roupa. O que combinar mais, um chapéu ou uma peruca.

Eu tinha horror a perucas, só pensava naquele cabelo sintético coçando na minha cabeça nesse calor do Rio de Janeiro! Também imaginava que as pessoas iam olhar pra mim e dizer "que linda sua PERUCA, nem parece PERUCA, quase não notei que era uma PERUCA!" e assim iria todo o glamour "careca a baixo".

Mas, um dia desses, resolvi ir ao shopping com as figurinhas da foto acima. A da esquerda virou pra mim e disse rindo "Ah, já que você está careca vamos experimentar peruca?", a da direita ficou chocada "Que isso, Cecil? Como você fala assim?". Eu achei a ideia ótima pra divertir a gente naquela tarde de ócio.

Entramos as três na loja de perucas e eu coloquei várias, de diversas cores e modelos. Foi bem divertido, as vendedoras, foram solicitas; como eu estava de fato careca, não se importaram com a brincadeira. O atendimento foi fantástico (fazia tempo eu não era tão bem atendida). Mas era só uma brincadeira. A questão é que, quando a vendedora colocou a peruca em mim e eu consegui ver a raiz do meu "cabelo", fiquei chocada! Não resisti e comprei. Foi a piada mais cara da minha vida (como eu costumo dizer), mas foi engraçado e também tem sido bastante útil.

Pena a vendedora não ter deixado a gente tirar fotos dentro da loja, com as outras perucas... :(

terça-feira, 17 de julho de 2012

A importância de compartilhar

Ando preocupada com o terapeuta do hospital. Ele tirou uma licença para tratamento de saúde e - parece que a coisa é mais séria do que eu imaginava - já se passaram meses e ele ainda não voltou. Uma pena pela pessoa e pelo excelente profissional que é. 

Procurei-o pelo e-mail, mas as mensagens retornaram. Estou meio constrangia em ligar para o celular... De qualquer forma, acabei me lembrando de um post que havia escrito para o blog que não foi ao ar e que não deixa de estar atual, de alguma maneira. Achei bacana dividir com vocês. Segue....

Tenho sentido falta do grupo de apoio psicológico às pacientes com câncer de mama. Por alguns motivos deixei de frequentá-lo. O primeiro deles foi pelo fato de não haver uma continuidade no tratamento das usuárias. Acho que muito mais pelas pessoas não se interessarem em retornar às sessões (a maioria mora bem longe e fica muito difícil se deslocar para o hospital), do que por um problema qualquer no atendimento em si.

Como a cada sessão o grupo era completamente diferente do anterior, lá ia eu me repetir, contar meu caso todo novamente. E, dessa forma, não tinha como dar andamento ao meu tratamento, apresentar novos sentimentos, partilhar angustias que haviam aparecido durante a semana, dividir com as outras determinadas etapas da minha história.

Isso me desestimulou bastante. Então, não relutei quando vi que um determinado curso que eu queria fazer era no mesmo dia da terapia, decidi me afastar por algum tempo. Mas estou sentindo que esse tempo talvez tenha se esgotado. Acho que preciso partilhar algumas coisas e que somente no grupo vou encontrar quem me entenda plenamente.

Não quero ser injusta com ninguém, mas, por mais sensibilizada que as pessoas estejam (e elas estão!), elas não conseguem compreender exatamente o que eu estou passando. O quadro é muito complexo e diferente, quem nunca passou por isso jamais terá noção completa das suas dimensões.

Dois acontecimentos exemplificam bem esse sentimento.

Eu estava no inglês, pedindo para ter um tratamento um pouco diferenciado (continuo*, dentro do possível, trabalhando e estudando, enfim, tentado manter meu cotidiano).  No curso que faço o sistema é um pouco diferente, simplificando, você marcar as suas aulas práticas e teóricas e segue no seu ritmo de aprendizado. Como eu vinha fazendo quimioterapia e, nas últimas sessões, tinha passado muito mal, fiquei algumas semanas sem marcar aulas. Então, estava pedindo para permitissem que eu marcasse essas aulas depois (basicamente, empurrar pra frente). E eu dizia brincado "Vai, eu sou café com leite! Estou em tratamento..."

Foi quando um dos professores do curso disse: "Ah, deixa de desculpas!" Num tom meio de quem que dizer "não se faça de coitada". Falou brincado, mas sabe como é, na brincadeira acabamos liberando nossos sentimentos. Bem, eu não gosto de usar de certos argumentos, mas tive que lascar um: "Desculpa, não! Eu passei uma semana vomitando, como você queria que eu visse ao curso?!" Ele ficou meio constrangido, mas acho que começou a entender o nível do problema.

A grande questão é que quem me vê bem, forte, alegre, levando minha vida normalmente, não é capaz perceber tudo que eu passei nos dias anteriores. Tudo o que está acontecendo comigo.

Meu marido, por exemplo, ele é fantástico, compreensivo e atencioso.

Outro dia saímos e ele perguntou "Não está se esquecendo de nada? E os remédios?" Eu separei os remédios, tomei alguns, levei outros e disse que estava tudo ok. Mas depois que já havíamos saídos, estávamos acomodados e não pretendíamos voltar, eu notei que havia esquecido o anti-inflamatório que estava tomando para terrível dor nas costelas que eu vinha sentindo.

Quando eu falei para ele que teríamos que voltar em casa e buscar o remédio, ele ficou meio aborrecido. Eu expliquei a ele que ando relapsa, por mais que me esforce acabo esquecendo a metade das coisas que tenho que fazer. Meu nível de eficiência anda meio baixo. Ele entendeu e ficou tudo bem. No carro, na volta, ele pegou minha carteira estava no painel do carro e pôs sobre o banco do carona. Eu já havia me levantado e pedi que ele me desse a carteira na mão, então ele disse: "Que preguiça, hein?!", "Preguiça, não, querido! Eu estou morrendo de dor nas costas!" Eu mal conseguia me abaixar sem urrar de dor, mas ele, me vendo alí, de pé, ativa, não pode notar isso.

Na espera para minha última consulta com a oncologista (para deixar claro: última que eu fui, não última que precisei ir), conheci uma senhora que já estava no final do seu tratamento contra o câncer. Tomava uns remédios em casa e ia de meses em meses ao hospital para uma consulta. Papo vai, papo vem, ela diz: "Só agora eu consigo entrar na sala da quimioterapia (onde a gente recebe o tratamento) sem passar mal. Mesmo já tendo acabado minha quimio, o cheiro do remédio me dava muito enjoo."

O mesmo vem acontecendo comigo. Não quero chegar perto daquela ala. Só de sentir o cheiro da medicação, só de lembrar do cheiro da medicação já fico mal. Foi assim que eu notei que algumas pessoas seriam capazes de me entender profundamente e que eu estava precisando dessa cumplicidade. Talvez fosse a hora de voltar a frequentar o grupo.**

*como as dores se intensificaram, acabei tendo muita dificuldade de me descolar de casa e precisei largar o curso já no finalzinho.
**nessa época eu estava entre 2 módulos de quimio e ainda sentia muito os efeitos das tais "vermelhas". Agora, já estou mais tranquila e, inclusive, entro na sala para o tratamento sem problemas. Superei.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Na terra dos "sem acesso", quem tem 1 cateter é rei

Mesmo tendo fama de reclamona, notei que sou bem mais Poliana do que poderia imaginar. Hoje, apesar das adversidades (conto depois), acordei feliz por ter um cateter. Só Polianna pra passar a 6ª feira em jejum em função de um cirurgia que deveria demorar 40 minutos, mas durou 1h30 com requintes de crueldade (com anestesia, mas sem sedação, ouvindo todas as barbaridades que os médicos diziam durante as complicações cirúrgicas) e acordar na 2ª feira com dor de barriga e feliz!

Notem que eu disse Poliana e não Raul Seixas (Maluco Beleza). Minha alegria tem um motivo de ser, nesta 5ª feira tenho quimio e poderei ir serena ao hospital, não vou correr o risco de virar uma peneira ao tirar sangue e receber o medicamento. Simples, é só usar o cateter e pronto! Sem dor, sem medo, sem agulhadas intermináveis (estou até pensando em ficar com ele pra sempre kkkk).




                   ------------------------------------------****-----------------------------------------



Hoje, conversando com uma amiga ao telefone, ela disse que havia se lembrado de mim ao ver uma matéria do fantástico. Eu me precipitei falando que não era novidade, que já sabíamos dos vários concursos públicos fraudados (meu marido está estudando para concursos)... E perguntei se ela havia visto a matéria sobre as plásticas estéticas que são feitas por médicos do SUS. Então, ela me revelou que estava se referindo a essa matéria, não a outra. Claro, né?! Ah, às vezes a gente esquece que tem mama de borracha...

                   ------------------------------------------****-----------------------------------------

Falando em esquecimento... Poucos dias depois de eu raspar o cabelo pela primeira vez, fui ao hospital fazer o exame de sangue para a próxima sessão de quimio. Eu usava uma boina e estava tranquila com a minha careca. Papo vai, papo vem, falei para o enfermeiro: "Ah, o exame é porque estou fazendo quimioterapia..." Ele, simpático, respondeu: "Eu sei, estou vendo sua careca."

Muitas vezes as pessoas olham para mim e eu acho que elas vêem câncer. Como no comentário recorrente: "Nossa, você engordou!" E eu penso: "Ok, também não precisa ofender!" Elas, porém, estão pensando: "Nossa, que saudável, até deu uma engordadinha!" (porque muita gente fica esquálida, abatida, durante o tratamento). Mas, eu me esqueço do câncer, do tratamento, da careca e tento viver minha vida normalmente, dentro do possível.

Como diz a minha onco: "Sossega, Cristiane!"